domingo, 17 de novembro de 2013

Interpretação de "O Meu Amor"

O Meu Amor

Chico Buarque

1   O meu amor tem um jeito manso que é só seu
2   E que me deixa louca quando me beija a boca
3   A minha pele toda fica arrepiada
4   E me beija com calma e fundo
5   Até minh'alma se sentir beijada
6   O meu amor tem um jeito manso que é só seu
7   Que rouba os meus sentidos, viola os meus ouvidos
8   Com tantos segredos lindos e indecentes
9   Depois brinca comigo, ri do meu umbigo
10 E me crava os dentes
11 Eu sou sua menina, viu? E ele é o meu rapaz
12 Meu corpo é testemunha do bem que ele me faz
13 O meu amor tem um jeito manso que é só seu
14 Que me deixa maluca, quando me roça a nuca
15 E quase me machuca com a barba mal feita
16 E de pousar as coxas entre as minhas coxas
17 Quando ele se deita
18 O meu amor tem um jeito manso que é só seu
19 De me fazer rodeios, de me beijar os seios
20 Me beijar o ventre e me deixar em brasa
21 Desfruta do meu corpo como se o meu corpo
22 Fosse a sua casa
23 Eu sou sua menina, viu? E ele é o meu rapaz
24 Meu corpo é testemunha do bem que ele me faz

    Primeiramente enumeramos cada verso para melhor visualização e identificação de cada trecho. Notamos que não é, ou são, homens a falar nesse discurso; conforme verificado em A Ópera do Malandro, esse é um diálogo entre duas mulheres disputando um mesmo homem. Mas que marcas textuais temos que comprovem esses dados?
   1º Temos aqui palavras marcadamente femininas: "louca"(2), "menina"(11), "maluca"(14) e "de me beijar os seios"(19). Logo fica completamente descartada a hipótese de os participantes do diálogo serem homens.
    2º  A frase "O meu amor tem um jeito manso que é só seu" é utilizada como gap entre uma fala e outra, já que ambas utilizam o mesmo mote como atributo principal do amado, ser manso é o atributo mais controverso que este homem pode ter, já que é com essa doçura que abala as estruturas da primeira mulher, física e psicologicamente (versos de 1 a 5). A segunda mulher apesar de iniciar seu discurso com as mesmas palavras da primeira, mostr um homem que "rouba", "viola", confidente, indecente, brinca, zomba e "crava os dentes"(versos de 7 a 10). Será que é o mesmo homem? Como ele se comporta com uma de um jeito e com outra de outra forma?
    3º A resposta para a pergunta anterior vem no verso 11. A primeira diz: "Eu sou sua menina, viu?" e a outra retruca "E ele é o meu rapaz"; vejo o verso 12 como uma fala das duas ao mesmo tempo. A primeira é meiga, ressalva que os modos dele são graciosos para com ela, chega a reparar na barba mal feita que a incomoda, o ato sexual é descrito com candura (versos 14 a 17); já a outra ao dizer que ele é o seu rapaz mostra uma posição mais firme, não de dominatrix e sim de dominadora dominada. Nos versos de 19 a 22, vemos que ele não vai na nuca, ele já "chega chegando" e "faz o que tem que ser feito" sem perda de tempo.
    Você que é mulher e está lendo essa minha interpretação do poema, talvez se identifique com a primeira ou com a segunda, até mesmo com as duas, cuide para que ele saiba que você é a menina dele e que ele é o seu rapaz. E para você homem que está lendo este post, repense seu relacionamento com sua menina, cause esse tipo de reação nela(ou nelas) e se orgulhe não só do jeito que ela te trata na sua frente... ela vai falar pras amigas e o "depois" é que vai contar bastante, que o corpo dela vai mostrar ou não o bem que você a faz.

Obrigado e boa leitura.

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