domingo, 17 de novembro de 2013

William Labov?


    William Labov nasceu 4 de dezembro de 1927 nos EUA e amplamente considerado como o fundador da  sociolinguística variacionista. Descrito como "uma figura extremamente original e influente que criou muito da metodologia" da sociolinguística. Ele atua como um professor no departamento de linguística da University of Pennsylvania, e desenvolve pesquisa em sociolinguística, variação da linguagem e dialetologia.
    Na década de 60, contestava frontalmente afirmações de inferioridade dos negros e superioridade dos brancos por serem “cultural e linguisticamente privados”, ilógicos, monossilábicos, etc. Apesar de terem "embasamento" para tais afirmações, os resultados de pesquisas "científicas", métodos, procedimentos e instrumentos de coleta eram amplamente contestados por Labov.
    Labov inovou criando novos métodos e procedimentos para fazer uma pesquisa mais coerente do que a que se praticava. Fez uso de seu profundo conhecimento da comunidade negra do Harlem, cuja cultura é bastante verbal, e a ele aliou bom senso, sensibilidade e criatividade. Como resultado, alterou vários dos procedimentos de pesquisa então vistos como firmemente estabelecidos e teve seu artigo alçado à categoria de um “clássico”. Vejam algumas dessas modificações:
(a) Ao invés de selecionar sua amostra de acordo com padrões mais ou menos rígidos envolvendo diferentes combinações de fatores como sexo, idade, ocupação, classe social, etc., ele recrutou sujeitos que, segundo ele, participavam da cultura vernacular das ruas e nada mais;
(b) Não tentou fazer emergir o discurso de seus entrevistados em locais com os quais eles estavam pouco familiarizados e nos quais se sentiam pouco à vontade (como, por exemplo, salas ou laboratórios de Universidades), então vistos como os mais adequados por serem considerados “neutros”. Pelo contrário, realizou as entrevistas no próprio bairro de residência dos entrevistados (o Harlem) e, pelo menos em um caso, no próprio quarto do entrevistado;
(c) Abandonou o uso de testes padronizados, como os já mencionados acima;
(d) Procurava fazer com que as entrevistas se tornassem menos intimidatórias através da redução da assimetria entre entrevistador e entrevistado bem como do estabelecimento de uma situação informal que mais se assemelhava a um bate-papo entre amigos (o que então era visto como pouco científico).
    O de ter um entrevistador negro, também morador do Harlem, que conhecia os entrevistados e que, para superar ainda outros obstáculos e inibições, diminuiu muito a distância entre a pesquisador e pesquisado, como se não houvesse algo maior por trás. Como resultado, Labov pôde mostrar uma visão completamente diferente da cultura negra e das capacidades intelectuais e linguísticas de seus membros; este método ainda é bastante utilizado pelos variacionistas como forma de minimizar os constrangimentos entre ambas as partes.

Principais obras:
  • Language in the Inner City: Studies in Black English Vernacular, 1972
  • Sociolinguistic Patterns, 1972
  • Principles of Linguistic Change (vol.I Fatores Internos, 1994; vol. II Fatores Sociais, 2001)
  • The Atlas of North American English, 2006, junto com Sharon Ash e Charles Boberg.

Baseado em: http://www.ling.upenn.edu/~wlabov

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Dê-nos a sua opinião