quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Dicas de Redação para Professores

    Se você estava na internet procurando dicas para fazer uma boa redação, mas é aluno ou concurseiro, aconselho a ler o Dicas de Redação para Alunos pelo fato de, como consta no título deste post, este aqui é para professores, pode ir pro outro, eu espero...
    Agora que os alunos já foram, podemos conversar melhor; alunos e professores sempre travaram uma guerra, por vezes oculta ou não, mas os alunos sempre tentam superar as expectativas dos mestres; algumas vezes os choques são realmente proveitosos, alguns alunos testam teorias para mostrar que são melhores que os professores, mas quando isso dá errado, ainda por cima em uma redação, o que poderia ser uma simples argumentação sobre "os benefícios ou malefícios do Bolsa Família" torna-se o mais longo e confuso tratado de "psico-filosofia-econômica-sócio-política-amadora-interminável".
    Pode ser óbvio e controverso, mas a redação é mais importante que uma equação de matemática. Conversando com um amigo que é matemático, ele me disse que a Matemática é a que melhor mostra a capacidade de raciocínio lógico do ser humano. Disse e digo novamente, o que melhor mostra a capacidade de raciocínio lógico é a argumentação.
    Uma boa argumentação é capaz de fazer com que algo duvidoso se torne crível, não há como recriar o "Big-Bang", mas a comunidade científica, como um todo, acredita nessa teoria pelo fato de ter sido aplicada uma boa argumentação sobre o caso. A Matemática é uma boa ferramenta para verificar a capacidade de raciocínio? Sim, mas de certos ângulos ela pode ser comparada à Redação. Saber preencher as variáveis é tão simples e tão difícil quanto estruturar um texto argumentativo.
    Nossa função como professores é de mostrar que o seu aluno que só tira 10 em Física, Matemática, Química, etc, tem que tirar 10 em Redação, pois o fato de ter inventado uma nova interpretação da Teoria das Supercordas não vale de nada se não souber justificar de onde partiram os cálculos e a justificativa de ser sua teoria melhor que a dos outros.
    Além de estimular esses alunos que já têm um futuro em mente, os que "nem sabem o que vão comer no jantar" são os mais necessitados de ter interesse pela matéria. Se for o grupo que "não está nem aí pra hora do Brasil", eles podem desperta o interesse em alguma área nos momentos de leitura para a prova; se for o grupo daqueles que realmente não têm o que comer no jantar, a argumentação é vital para a conquista de um emprego melhor, uma vida diferente da que tem no momento.
    Estímulo da leitura não deve ser do tipo: "amanhã vai ter simulado e o tema é 'Agricultura no Brasil pós-moderno' então leiam bastante." Os professores tanto de Redação quanto os de Língua Portuguesa (algumas escolas acham que existe uma diferença tão grande que deve ter dois professores, um para ensinar a língua e outro para ensinar argumentação). Proponho que as leitura comecem em sala e terminem na casa dos alunos.
    Por mais aplicada que seja a turma, a maioria dos alunos só lê uma parte do texto, quando não o resumo da internet na Wikipedia. Começar a leitura de um tema familiar aos alunos é uma boa chance de despertar o interesse pela leitura. Se a turma tem um hábito de leitura regular ou baixo, livros/artigos de nível baixo a intermediário são recomendados. Exemplos a serem utilizados são matérias populares de jornais como introdução às discussões, matérias mais complexas que envolvem maior carga de conhecimento também são uma boa proposta a depender do desenvolvimento da turma.
    O parágrafo anterior é melhor para escolas públicas, não que as particulares não se importem com a capacidade argumentativa de seus alunos, mas a particular tende a voltar os estudos para ENEM, UFRJ, UERJ, USP, FUVEST, UNICAMP, UNB, UFBA, UFC, UFMG... Logo as provas de redação são voltadas para essas grandes universidades, nos cursinhos então o foco é maior ainda quanto ao tipo de redação que o STJ costuma aplicar, qual tipo de tema vem aparecendo na prova dos Correios, etc...
    Começar uma discussão e terminá-la no papel pode ser melhor do que simplesmente pedir que leiam sobre um dado assunto e no final escrevam um texto de 25 a 30 linhas sobre o que entenderam do assunto. Se houver a possibilidade, e não só a obrigatoriedade, de falar dos clássicos que costumam circular nos principais vestibulares/concursos pode trazer novas discussões sobre o assunto.
    Usar provas de concursos não é vergonha nem prejuízo, já que não há um "gabarito" para esse tipo de matéria, você pode mostrar que mesmo um aluno do segundo ano do ensino médio poderia ter passado numa prova de redação dos fuzileiros ou da Petrobras, mostrar a eles que argumentação não depende de prova/concurso. Se for identificada dificuldade de expor a opinião, exercícios curtos são melhores que dezenas de redações inúteis.
    Mostre que a sua matéria está relacionada a tudo que envolve a vida. Ortografia é importante, mas é o texto como um todo que define se o aluno sabe ou não dissertar sobre um dado tema, escrever "tambem" não pode tirar 60% da nota a menos que haja um grave problema de ortografia e isso deve ser corrigido nas aulas de Língua Portuguesa. Espero poder ter ajudado a mostrar que pedir a um aluno de periferia que faça uma redação sobre Viagens na Minha Terra(A. Garrett) é quase um crime no ensino médio.
    Se você, professor, tem alguma dica sobre os processos de produção textual em sala de aula e gostaria de compartilhar, basta comentar aqui ou acessar nossa página no facebook Português e Tal, curta nossa página e comente.

Obrigado e boa leitura.

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