quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Diferenças entre Inglês e Português - Fonética/Fonologia e Morfologia I

    Para uma pessoa pouco informada, o fato de palavras inglesas serem diferentes gráfica e foneticamente falando já é suficiente para deter minar que essas línguas não são idênticas. Mas há outras nuâncias que comprovam essa divergência; antigamente ter três letras a mais no alfabeto era uma característica, mas com o novo acordo ortográfico essa diferença foi abolida.
    Enquanto os brasileiros reclamam da acentuação portuguesa, não há acentos no inglês e isso pode dificultar a pronúncia de determinadas palavras. No Português, todas as proparoxítonas são acentuadas ao passo que no inglês não há tal marcação; a palavra "Internet" é pronunciada em inglês [Ínternet], logo é proparoxítona pois a tônica está na antepenúltima sílaba, mas em português falamos [internÉt(ch)i] e pronunciamos como paroxítona não havendo a marcação do acento nesse tipo de palavra.
    O "English" tem a característica de terminar palavras com "n" - "f" - "t" - "d" - "b", duplicar letras como "cc" - "ff" - "ll" - "ee"... coisas impensáveis em português. Nosso idioma não permite final de palavra com "n" - "f" - "t", não existe palavra com a geminação das letras mencionadas acima como no inglês e apenas as vogais "e" - "o" em contextos muito específicos como em "veemente" e "voo". Palavras como "small", "off", "account", "need", "pub" são extremamente estrangeiras sem possibilidade de confusão com nosso idioma.
    Outra característica do idioma britânico é inicio de palavra com "s" sem vogal. palavras como "smash", "sport", "smell", entre outras, são uma tortura para falantes de língua portuguesa já que não temos costume com esse tipo de construção, tendemos a inserir um "i" no inicio da palavra para ficar "mais fácil" e as mesmas palavras são ditas [isméxi], [isportchi] e [isméu]. Isso não é burrice, isso é português, o nosso idioma tem essa característica e é bom que permaneça assim.
    Mais uma característica que chama a atenção é a variedade de sons que as vogais e dígrafos podem assumir em determinados contextos. No dialeto estadunidense, monossílabos com "a" tem som de "é"snack [snék]), em outros contextos tem som de "ei" (saber [seiber]), em outros tem som de "a" (audio [audio]) e em outros tem som de "ó" (mall [móu]); só temos essa diferença de fones em determinados ambientes "e" e "o" que podem alternar entre "e" - "i" e "o" - "u" respectivamente.
    A que pega no pé dos iniciados na língua inglesa é o "th" em alguns casos é pronunciado como um "f" ou "d" realizado como lábio-dental, mas esses fones simplesmente não existem nem aqui nem além-mar; é [tenkiu], [dê], [truu], mas as pronúncias corretas de thank you, the e through. Repito, se somos tão burros como querem mostrar ao não saber como pronuncia uma determinada palavra, por que eles dizem [amoura] ou [pour favour]?
    Não quero ensinar inglês aqui,estou mostrando a diferença entre English e Português do ponto de vista fonético-fonológico e morfológico de forma bem simples, é claro que há diferenças entre os dialetos da Grã-Bretanha, estadunidense, canadense, jamaicano, neozelandês, australiano, sul-africano... variações dialetais ocorrem também dentro do português. Não justifica a pessoa cantar "wiar nuô", mas também não devemos ficar nos matando para "não ter sotaque", eles nem se preocupam com o sotaque ou com a construção verbal do português, por que temos que fazer isso?

Obrigado e boa leitura.

2 comentários:

  1. Muito bom, só acho que essa idéia de ser "burro" por não pronunciarmos igual a nativos não deve ser levada em consideração, já que o inglês se tornou uma língua mundial e sofre o processo de regionalização. Por exemplo no Brasil, aonde temos vários sotaques e palavras como "porta", "mesmo", possuem diferentes pronúncias e nem por isso o gaúcho é burro por não pronunciar igual ao carioca ou um nordestino, e vice-versa. Mas parabéns pelo texto!

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