sábado, 1 de novembro de 2014

Sufixo "-eiro" X "-ista"

Já pararam para pensar nas diferenças e semelhanças entre as palavras formadas com "-eiro" e "-ista"? Ambos são do tipo agentivo, ou seja, são designados a "pessoas que agem". Mas se os dois têm a mesma característica, porque há duas formas para dizer a mesma coisa? "Só pra complicar", alguns diriam; se adotarmos o ponto de vista que todos os "-eiros" têm pouco prestígio na sociedade... Como assim? Perceba que todos os "-eiros" têm pouco prestígio em relação aos "-istas".

Segue uma relação pequeníssima de agentivos pouco valorizados na sociedade:

Funkeiro
Pedreiro
Jardineiro
Porteiro
Maconheiro
Trambiqueiro
Macumbeiro
Jornaleiro

Agora percebam a diferença dos que têm "-ista":

Dentista
Paisagista
Passista
Especialista
Jornalista
Estrategista
Golpista

    As duas listas são bem grandes, mas notem que a primeira é menos prestigiada que a segunda. Pensemos num situação "normal na cabeça de cada um", quem ganha mais pelo serviço, o jardineiro ou o paisagista? Quem tem maior habilidade para enganar, o trambiqueiro ou o golpista? Não quero dizer que jardineiros não são valorizados e que o golpista é bem visto pela sociedade, digo que para dar maior ou menor relevância é usada uma ou outra forma e por algumas serem sinônimas acabam sendo empregadas indiscriminadamente.
    A relação entre o jornaleiro e o jornalista é que ambos trabalham com o jornal, mas um trabalha para fazer a notícia o outro trabalha para vender o periódico; o estelionato é praticado por golpistas e trambiqueiros, mas o trambique é "menor" que o golpe, que tende a tomar proporções maiores que seu sinônimo.
    Outras palavras têm esse demérito por questões mais preconceituosas, como o caso de macumbeiro tanto no caso do músico que toca macumba, como no caso do religioso afro-brasileiro, o preconceito não permitiu um "macumbista", como o caso do "maconhista" ou "funkista". Ao passo que certas profissões não têm essa perda de prestígio, por exemplo: dentista, economista, ginecologista, projetista...
    "Paulo, mas Engenheiro é muito prestigiado na sociedade... 'e agora José'?" Respondendo a este possível questionamento, temos que algumas palavras tinham um sentido, mas, com o tempo, passaram a ter outra. O engenheiro era o que trabalhava no engenho, ou seja, na maioria das vezes escravo; quando a Revolução Industrial aumentou a complexidade do engenho elevando ao "cargo" de máquina, o engenheiro e o maquinista passaram a ser par no trabalho e esse passou a ter mais privilégios do que este. Miranda (1979) trata dessa relação apontando traços característicos de cada processo formador como origem desde o Latim, o nível de formalidade quanto ao processo formador, traço semântico, etc...
    Recomendo acessar os links abaixo, pois contêm mais detalhes e referências sobre o assunto de etimologia dessas palavras tão comuns, mas que são mais complexas do que  imaginamos.





Obrigado e boa leitura

3 comentários:

  1. Boa tarde!

    Li seu texto, de fato você pode até ter razão...
    porém o que me diz do caso engenhEIRO e eletricISTA?
    entre outros mais...

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    Respostas
    1. a respeito de "engenheiro", já disse no texto... mas parece que "eletricista" sofreu processo de prestígio de modo inverso ao de "engenheiro". Deve ter comeado com algum prestígio e, com o tempo, a relativa banalização dos conhecimentos técnicos da elétrica deve ter deixado de prestigiar, ou em menor escala, tais profissionais...

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      =]

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