segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Memórias Póstumas de Brás Cubas

Memórias Póstumas de Brás Cubas é um romance escrito por Machado de Assis, desenvolvido em princípio como folhetim, de março a dezembro de 1880, na Revista Brasileira, publicado como livro em 1881, pela então Tipografia Nacional.


Lista de personagens:

Brás Cubas: filho abastado da família Cubas, é o narrador do livro; conta suas memórias, escritas após a morte, e nessa condição é o responsável pela caracterização de todos os demais personagens.

Virgília: grande amor de Brás Cubas, sobrinha de ministro, e a quem o pai do protagonista via como grande possibilidade de acesso, para o filho, ao mundo da política nacional; posteriormente se torna amante do protagonista por um longo tempo.

Marcela: primeiro amor de Brás.

Eugênia: a “flor da moita”, nas palavras de Brás, já que era filha de um casal que ele havia flagrado, quando criança, namorando atrás de uma moita; o protagonista se interessa por ela, mas não se dispõe a levar adiante um romance, porque a garota era coxa.

Elália Damascena de Brito (Nhã-Loló): última possibilidade de casamento para Brás Cubas, moça simples, que morre de febre amarela aos 19 anos.

Lobo Neves: casa-se com Virgília e tem carreira política sólida, mas sofre o adultério da esposa com o protagonista.

Quincas Borba: teórico do “humanitismo”, doutrina à qual Brás Cubas adere, morre demente.

Dona Plácida: representante da classe média, tem uma vida de muito trabalho e sofrimento.

Prudêncio: escravo pessoal de Brás Cubas na 
infânciadepois de alforriado, torna-se dono de um escravo, no qual se vinga das violências outrora recebidas .


Resumo


"Ao verme que primeiro roeu as frias carnes do meu cadáver dedico com saudosa lembrança estas memórias póstumas."

Primeiramente, não é um autor vivo que está narrando, ele diz: “eu não sou propriamente um autor defunto, mas um defunto autor”. A infância de Brás Cubas é marcada por privilégios e caprichos patrocinados pelos pais. Seu “brinquedo” favorito era o negrinho Prudêncio, que lhe servia de montaria e para maus-tratos em geral. Brás era amigo de traquinagem de Quincas Borbas, personagem do livro que leva seu nome também escrito por Machado de Assis, e defende o “humanitismo”, misto da teoria darwinista com o borbismo: “Aos vencedores, as batatas”, ou seja: só os mais fortes e aptos devem sobreviver.
Na juventude do protagonista, as benesses ficam por conta dos gastos com uma cortesã, uma prostituta de luxo (pra ser mais claro), chamada Marcela, a quem Brás dedica a célebre frase: “Marcela amou-me durante quinze meses e onze contos de réis”. Essa é uma das marcas do estilo machadiano, a maneira como o autor trabalha as figuras de linguagem. Marcela é prostituta de luxo, mas na obra não há, em nenhum momento, a caracterização nesses termos. Machado utiliza a ironia e o eufemismo para que o leitor capte o significado. Brás Cubas não diz, por exemplo, que Marcela só estava interessada nos caros presentes que ele lhe dava. Ao contrário, afirma categoricamente que ela o amou, mas fica claro que, naquela relação, amor e interesse financeiro estão intimamente ligados.
Apaixonado por Marcela, Brás Cubas gasta enormes recursos da família com festas, presentes e diversos tipos de agrados. Para dar um basta àquela situação, seu pai manda o filho para a Europa estudar leis e garantir o título de bacharel em Coimbra. Brás Cubas não pode contrariar a ordem do pai, e segue contrariado para a universidade. Marcela não vai se despedir dele como combinaram, e a viagem começa triste e melancólica.
Em Coimbra, a vida não se altera muito. Retorna ao Brasil com o diploma de Bacharel nas mãos e total inaptidão para o trabalho; Brás Cubas segue sua existência parasitária, gozando dos privilégios dos bem-nascidos do país.
Brás Cubas tem seu segundo e mais duradouro amor – Virgília. A moça, parente de um ministro da corte, poderia ser, ao se casarem, seu passe de entrada na política conforme aconselhara seu pai. No entanto, ela se casa com Lobo Neves, que tira de Brás Cubas a noiva e a candidatura a deputado que o pai preparava.

O livro se encerra com o trecho destacado abaixo.

Este último capítulo é todo de negativas. Não alcancei a celebridade do emplasto, não fui ministro, não fui califa, não conheci o casamento. Verdade é que, ao lado dessas faltas, coube-me a boa fortuna de não comprar o pão com o suor do meu rosto. Mais; não padeci a morte de D. Plácida, nem a semidemência do Quincas Borba. Somadas umas coisas e outras, qualquer pessoa imaginará que não houve míngua nem sobra, e conseguintemente que saí quite com a vida. E imaginará mal; porque ao chegar a este outro lado do mistério, achei-me com um pequeno saldo, que é a derradeira negativa deste capítulo de negativas: — Não tive filhos, não transmiti a nenhuma criatura o legado da nossa miséria.

— Memórias Póstumas de Brás Cubas, Capítulo CLX.

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