segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Dom Casmurro

Dom Casmurro é um romance escrito por Machado de Assis em 1899 e publicado pela Livraria Garnier. A publicação em livro ocorreu em 1900, embora com data do ano anterior. "Dom Casmurro" é uma das grandes obras de Machado de Assis, aborda o ciúme com brilhantismo, e provoca polêmicas em torno do caráter de uma das principais figuras femininas da literatura brasileira: Capitu.


Lista de personagens:

Bento Santiago (Bentinho): o narrador-personagem, membro da elite carioca do século XIX.

Capitolina (Capitu): grande amor de Bentinho, personagem de origem pobre, mas independente e avançada para os moldes femininos da época.

Escobar: melhor amigo de Bentinho, estudaram juntos no seminário.

Sancha: mulher de Escobar, ex-colega de colégio de Capitu.

D. Glória: mãe de Bentinho, adora o filho e é muito religiosa. Quer que ele se ordene padre como cumprimento de uma promessa feita.

José Dias: agregado que vive na casa de dona Glória. Suposto médico com preferência pela Alopatia, tem o hábito de agradar aos proprietários da casa com o uso de superlativos.

Tio Cosme: irmão de dona Glória, viúvo e advogado.

Prima Justina: prima de dona Glória, segundo o narrador, não tinha papas na língua.

Pedro de Albuquerque Santiago: pai de Bentinho e falecera quando o filho ainda era muito pequeno.

Senhor Pádua e Dona Fortunata: pais de Capitu, que viam uma possibilidade de ascensão social no possível casamento da filha com Bentinho.

Ezequiel: filho de Capitu, Bentinho sustenta forte dúvida se o garoto era seu filho, já que tinha grande semelhança física com Escobar.

Resumo

O romance se inicia numa época posterior a todos os acontecimentos narrados. Bento Santiago, já um homem de idade, conta como recebeu a alcunha de Dom Casmurro. Certa vez um jovem poeta tentara ler para ele no trem alguns de seus versos, como Bento cochilara durante a leitura, o rapaz ficou chateado e começou a chamá-lo de Dom Casmurro. O narrador relembra sua existência no que ele chama de "atar as duas pontas da vida". O leitor é apresentado à infância de Bentinho quando vivia com a família num casarão da rua de Matacavalos (hoje Riachuelo).
Já de início, um fato é revelado e também é o primeiro motivo de preocupação dele. Bentinho escuta uma conversa entre José Dias e dona Glória: como cumprimento de uma promessa feita pouco antes de seu nascimento, ela pretende mandar o garoto ao seminário para ser padre. Ela já havia perdido um filho e prometera que, se o segundo filho nascesse "varão", ela o faria padre. Na conversa, dona Glória fica sabendo da estreita amizade entre o menino e a filha de Pádua, Capitolina.

Depois da conversa, Bentinho fica furioso com José Dias, que denunciara a relação de Bentinho com Capitu à Dona Glória, e expõe a situação a Capitu. A menina ouve tudo com atenção e arquiteta uma maneira de ele escapar do seminário, mas nada dá certo. O garoto segue para o seminário, mas, antes de partir, beija Capitu selando a promessa se casar com ela.

No seminário, Bentinho conhece Ezequiel de Souza Escobar, que se torna seu melhor amigo – tem uma “teoria” que diz que houve entre os dois um... (veja aqui). Bentinho leva Escobar para conhecer sua família e Capitu também passa a conhecer o rapaz.
Com Bentinho no seminário para se tornar padre, Capitu estreita ainda mais as relações com Dona Glória, que passa a vê-la e sua relação com o filho com bons olhos. Dona Glória sabia como resolver a questão da promessa e pensa até em consultar-se com o Papa. Escobar encontra uma solução: a mãe prometera a Deus um sacerdote, mas não precisava, necessariamente, ser Bentinho; no lugar do filho, um escravo é enviado ao seminário e ordena-se padre.

Bentinho vai estudar direito no Largo de São Francisco, em São Paulo. Ao concluir os estudos, torna-se o Dr. Bento de Albuquerque Santiago. Casa-se com Capitu, como prometido, e Escobar casa-se com Sancha, uma antiga amiga de colégio de Capitu. Essa felicidade não dura muito, pois o casal demora a ter um filho. Escobar e Sancha não encontram a mesma dificuldade e têm uma bela menina, a quem colocaram o nome de Capitolina, homenagem à Capitu. Depois de alguns anos, Capitu finalmente tem um filho, e o casal pode retribuir a homenagem que Escobar e Sancha lhe haviam prestado e batizaram o menino com o nome de Ezequiel.
Os casais passam a conviver intensamente. Bento, não mais um menino para ser chamado Bentinho, vê uma semelhança terrível entre o pequeno Ezequiel e seu amigo.
Escobar era excelente nadador, mas, numa de suas aventuras na praia do Flamengo, o personagem morre afogado. Bento vê no filho a figura do amigo falecido e fica convencido de que fora traído pela mulher. Resolve suicidar-se bebendo uma xícara de café envenenado. Quando Ezequiel entra em seu escritório, decide matar a criança... mas desiste no último momento. Diz ao garoto que não é seu pai, Capitu escuta tudo e lamenta-se pelo ciúme de Bentinho, que, segundo ela, fora despertado pela casualidade da semelhança.

Após inúmeras discussões, o casal decide separar-se. Arruma-se uma viagem para a Europa com o intuito de encobrir a nova situação, que levantaria muita polêmica. Bento retorna sozinho ao Brasil e se torna, pouco a pouco, o amargo Dom Casmurro. Capitu morre no exterior e Ezequiel tenta, em vão, reatar relações com o pai, mas a semelhança com Escobar aumenta fazendo com que Bento Santiago o rejeite novamente. Ezequiel é infeliz morre de febre tifoide durante uma pesquisa arqueológica em Jerusalém.

Triste e nostálgico, o Bento constrói uma casa que imita sua casa de infância, na rua de Mata-cavalos. O próprio livro é também uma tentativa de recuperar o sentido de sua vida. Mas no fim, com o capítulo “E bem, e o resto?”, o narrador parece menosprezar a própria criação. Convence-se de que o melhor a fazer agora é escrever outra obra, "a História dos Subúrbios".



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