quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Como ingressar num Mestrado?

Há algum tempo, ter o primário era suficiente para se conseguir um emprego, depois passou a ser importante ter o “ginásio”; depois, o segundo grau; depois, uma faculdade; depois, mestrado, agora a moda é doutorado... falta pouco para começar a moda do pós-doc...

A pós-graduação é dividida em Stricto sensu e Latu sensu. Lato sensu é uma expressão em latim que significa, literalmente, "em sentido amplo". No Brasil é conhecida como especialização; é um curso em que não se faz aprofundamentos como no mestrado e no doutorado. A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) é a responsável pelos cursos de pós-graduação e os regulamenta. Há dois tipos de títulos para a modalidade Latu sensu: Aperfeiçoamento e Especialização.  Ao final do curso de Aperfeiçoamento exige-se apenas uma avaliação final, ao passo que no curso de Especialização é feito um Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), trabalho acadêmico de caráter obrigatório e instrumento de avaliação final de um curso superior.
Stricto sensu é uma expressão latina que significa, literalmente, "em sentido específico". É aqui que se delimitam quais pontos daquela área do Saber serão abordados, e são poucos os pontos abordados em relação ao todo do assunto. Há dois tipos de títulos para a modalidade Stricto sensu: Mestrado e Doutorado. O Mestrado tem como objetivos: a formação aprofundada do discente; preparar professores para lecionar em instituições de ensino superior, faculdades ou universidades; promover atividades de pesquisa.
Doutoramento (português europeu), ou doutorado (português brasileiro), é um grau acadêmico concedido por uma instituição de ensino superior universitário, que pode ser uma universidade, um centro universitário ou uma faculdade isolada. Com o propósito de certificar a capacidade do candidato para desenvolver investigação num determinado campo da ciência (no seu conceito mais abrangente). Nesse momento espera-se que o aluno adquira capacidade de trabalho independente e criativo. Tal capacidade deve ser demonstrada pela criação de um novo conhecimento e publicações em revistas científicas, congressos, ou pela obtenção de patentes. É essencial para a seleção ao doutorado a demonstração de certas qualidades e experiência em pesquisa. No Brasil, somente são validados em âmbito nacional os doutorados obtidos em cursos recomendados pela Capes. Títulos obtidos no exterior precisam ser reconhecidos por programas recomendados pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), conforme o art. 48 da Lei de Diretrizes e Bases da Educação.
Dito tudo isso, agora direi como foi a minha experiência. A Universidade Federal do Rio de Janeiro tem cursos de pós-graduação tanto Latu sensu quanto Stricto sensu, inscrevi-me no PPG (Programa de Pós-Graduação) Stricto sensu (mestrado) em Letras Vernáculas na área de Língua Portuguesa. No site da pós, há várias opções de linhas de pesquisa e projetos à disposição do candidato. Escolhi o curso que mais me identificava e não o que pode parecer ser mais rentável, fiz tal escolha por não querer fazer algo que não me seja agradável.
Durante um ano, li os livros indicados na bibliografia base daquele PPG. Isso foi muito importante na hora de fazer a prova do processo de seleção. Em seguida veio a prova de proficiência em língua estrangeira, as que sempre constam em todos os processos são: Inglês, Espanhol e Francês, mas também é comum ter Alemão e Italiano. A prova de língua estrangeira visa a avaliar a capacidade de o candidato poder compreender um texto em língua estrangeira, não é costume das faculdades aceitarem a repetição do idioma no acesso ao doutorado; se escolher inglês no mestrado, terá que escolher outra para o doutorado. Não há nenhuma lei que obrigue tal procedimento, mas isso depende de cada instituição. É comum ter, também, uma prova de proficiência em Língua Portuguesa para candidatos não lusófonos.
No período que consultava a bibliografia, em paralelo fui montando e lapidando meu Projeto de Pesquisa. Conversei muito com uma professora, agora minha orientadora, sobre quais seriam os melhores livros para servir de base no meu projeto, o que vale a pena considerar agora e o que pode ser melhor aproveitado no doutorado, nos encontrávamos para discutir a redação do projeto... essas coisas... isso demanda tempo e cria um vínculo com o professor. Mesmo que ele não possa te orientar, com certeza ele conhece alguém que trabalhe na sua linha de pesquisa.
O último estágio do processo de acesso ao mestrado/doutorado é a arguição do seu projeto. Tudo o que você escreveu será posto em xeque, e, normalmente três doutores, irão questioná-lo nos pontos mais vulneráveis da sua proposta. Aqui será avaliado o seu poder de argumentação, seu conhecimento e domínio da matéria, e, em muitos casos, sugestões para abordagem do tema que você propôs. Ainda não é a defesa da tese, mas pode ser tão estressante quanto. Essa etapa tem caráter classificatório e eliminatório, ou seja, se houver 15 vagas para um determinado projeto, a nota da arguição pode determinar se você vai ou não estar entre os 15; se o seu trabalho tiver muitas falhas, você saberá quais pontos têm problemas e “ano que vem nos vemos de novo”.
Passado “apenas” tudo isso, é hora de efetuar a matrícula e descansar... hahahahaha... “só que não”. Agora é que você vai saber o que é ler e escrever de verdade; vai ter que participar de eventos, de preferência apresentando trabalhos. Sua vida irá mudar nos próximos 2 anos e meio... mas isso fica para outro artigo...
Vamos revisar o que vimos até agora:
1.  Verificar se a Instituição de Ensino Superior tem PPG Stricto sensu (Mestrado e Doutorado);
2.   Identificar o Programa, a Linha de Pesquisa e a Área de Concentração pretendidos;
3.   Definidos os pontos acima, montar um Projeto de Pesquisa compatível e sondar um professor a fim de obter orientações a respeito do projeto;
4.   Estudar a bibliografia informada no Edital do concurso e no site do PPG pretendido, muitas das vezes não há alterações drásticas de um ano para outro, mas fique atento a possíveis alterações;
5.  Verificar com antecedência toda documentação exigida e se o projeto está formatado como consta no Edital, é... você pode ter o pedido indeferido por ter esquecido o comprovante de votação ou por ter esquecido de contemplar algum item obrigatório no projeto;
6.  Ter tranquilidade na prova de Conhecimento Específico e tentar conciliar a bibliografia base com livros relacionados, nomes de autores, de obras, citações (da forma correta) são demonstrações de domínio da matéria;
7.   Levar um bom dicionário para a prova de Língua Estrangeira, as perguntas e textos estarão na língua selecionada, mas todas as respostas são em Português;
8.   Não copie o projeto de ninguém. Aproveitar uma proposta é razoável, mas copiar o trabalho alheio é plágio... tenha certeza que a banca saberá que você copiou, e na hora da arguição, seus conhecimentos serão testados;
9.  Tenha tranquilidade durante a arguição e esteja aberto a ideias, mas mantenha-se na sua proposta. Durante a pesquisa, o projeto pode ser adequado às necessidade que se mostrarem;
10.  Estude bastante;
11.  Estude bastante;
12.  Estude bastante, e quando achar que já estudou o suficiente, estude mais. Isso não é ENEM, é mais importante do que isso.

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