sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Quem estuda mais, homens ou mulheres?

Por stockvault
A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) 2011, divulgada em 21/09/2012, constatou que as mulheres com mais de dez anos de idade estudam, em média, durante 7,5 anos, ao passo que o tempo de estudo dos homens é de 7,1 anos.
A média geral no país está em 7,3 anos de estudo. A pesquisa investigou dados sobre população, migração, educação, emprego, família, domicílios e rendimento. Foram ouvidas 358.919 pessoas em 146.207 domicílios. Segundo o IBGE, a população residente em 2011 no país era de 195,2 milhões.
Os índices de tempo de estudo são maiores do que o da pesquisa anterior, feita em 2009, quando a média no país foi de 7,2 anos de estudo, sendo 7,0 para os homens e 7,3 para as mulheres.
Considerando a faixa etária de pessoas entre 20 e 24 anos, notou-se um melhor desempenho, pois os entrevistados declararam estudar por 9,6 anos. Nesta faixa etária, as mulheres declararam ter 10,2 anos de estudos, enquanto os homens disseram ter 9,3 anos de estudo.
Os homens só superam as mulheres na faixa etária dos 60 anos ou mais, quando eles declaram estudar 4,6 anos, e elas, 4,3 anos.
Alguém se lembra de gritar “ô tiiioooooooooo!!!!” na escolinha? Se você que tem mais de 30 anos e puder revisar sua vida acadêmica do Jardim (atual EI) à 4ª série (atual 5º ano do Ensino Fundamental), quantos professores homens você teve? A probabilidade de responder “zero” é grande, uma vez que a profissão docente nas séries iniciais é quase que exclusivamente dominada pelas mulheres. Não que não haja homens trabalhando como professores em creches ou nas séries iniciais, a questão é que alguns fatores não atraem o contingente masculino para dar aula para os pequenos.
De acordo com o Censo da Educação 2012, 411 mil professores são homens, e 1,6 milhão, mulheres – do total de 2 milhões de docentes da educação básica brasileira – ou seja, para cada 4 mulheres, há um professor do sexo masculino . Na educação infantil, verificou-se 429,8 mil mulheres e apenas 13,5 mil homens.
Apesar de as mulheres serem maioria, os homens são os que ganham mais. No Censo de 2010, os professores das universidades recebiam, em média, R$ 5.403,81, já as professoras, R$ 3.873,18. No ensino pré-escolar e fundamental, elas informaram receber R$ 1.258,67, e eles, R$ 1.685,55. No ensino médio, docentes do sexo masculino recebiam R$ 2.088,56, e do feminino, R$ 1.822,66. Seria a lei da oferta e da procura, ou preconceito mesmo?
Amanda Oliveira Rabelo, PhD em ciência da educação, não considera que a diferença salarial tenha relação com preconceito. “Segundo constatei em minha tese, os homens têm maior facilidade de progressão na carreira para cargos de gestão, ganhando geralmente salários maiores, por estarem em cargos que ganham mais”. A pesquisadora entrevistou 149 professores do ensino público no Estado do Rio de Janeiro e constatou que 43,54% dos entrevistados já presenciaram discriminações. “O dado mostra que, no Brasil, a discussão de gêneros não está muito desenvolvida, está começando. O assunto precisa avançar mais aqui”, diz Amanda.
As principais situações de preconceito relatadas pelos entrevistados são: homofobia, a ideia de que homens são incapazes de lidar com crianças por serem indelicados ou autoritários, o pressuposto histórico de que o cargo se trata de um trabalho feminino, o medo dos pais da pedofilia e assédio sexual, além da concepção de que a docência é uma carreira pouco rentável para homens que querem formar uma família.


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