segunda-feira, 11 de julho de 2016

As princesas da Disney mudaram, percebeu?

Saindo um pouquinho da temática costumeira deste blog, venho apresentar algumas considerações sobre as princesas da Disney. Cuidado!!! Contém spoiler. Se você não conhece as obras citadas, pode procurar na internet que tem muito material, filmes, muitas coisas... Não falo de bichinho, cor disso, gosto por não sei o quê... este artigo é bem generalista... Se você não se importa com spoilers, pode continuar...

O ano é 1937, uma empresa de animação lança o que seria um marco para o cinema e a animação como um todo, “Branca de Neve e os Sete Anões”, uma história de uma princesa cujo pai morre e ela passa horrores nas mãos de sua madrasta... ok, provavelmente você já conhece essa história...

Em 1950, 13 anos depois, aparece uma jovem loira, também maltratada por sua madrasta, chamada Cinderela (ou Cinderella). A jovem vai ao baile, encontra o príncipe, etc... mas uma figura nova aparece no mundo Disney, a Fada Madrinha... ok, você também já deve conhecer essa história também...

Então, em 1959, 22 anos depois da primeira princesa, surge Aurora em “A bela adormecida”, a segunda princesa loira, mas essa é princesa de nascimento, já que Cinderella se torna princesa ao se casar com o príncipe Henry, o Príncipe Encantado. O que Aurora e Snow White (Branca de Neve) têm em comum é que não é mostrado nos filmes que elas se casam, somos levados a aceitar que houve um casamento depois do “The End”, diferentemente do que ocorre com Cinderella.

Após quase 50 anos depois do primeiro filme da Disney, temos uma menina de 12 anos chamada Eilonwy Llyr, do filme “O Caldeirão Mágico” (1985) , provavelmente você não deve ir a muitas festinhas de criança com o tema dessa princesa, mas ela é o início tímido da mudança que vem ocorrendo com a personalidade das princesas, a autoconfiança e (relativa) independência. Uma vez que o filme não foi um sucesso, não temos muitas referências sobre essa princesa. Caso você goste de Princesinha Sofia, ou tenha uma filha que goste (como eu tenho), há uma menção muito sutil numa torre, lá longe, mas ela não aparece vinda do colar mágico... em fim...

Temos então a primeira princesa rebelde, Ariel, filha do rei Tritão. Em 1989, a Disney lança uma adaptação da história “A pequena sereia”, do dinamarquês Hans Christian Andersen. Ao contrário do conto original, a moça se casa com o príncipe Eric e tem uma filha com ele, a pequena Melody (de “A Pequena Sereia: O Retorno para o Mar”, lançado em 2000). Ariel é muito curiosa, toma decisões por conta própria, mas ainda está ligada ao destino de toda princesa Disney de até então, se casar com o príncipe.

Saindo da temática europeia, Jasmine aparece no filme “Aladdin”, de 1992, como uma princesa mais independente, mais esperta e mais autoconfiante do que Ariel e Eilonwy juntas, mas ainda termina se casando, mas agora o amado não é um príncipe, é um plebeu malandro conhecido pela guarda como um “rato de rua”... perceberam a mudança... pois é... e só está começando...

Pula Nala, de O Rei Leão (1994); Pocahontas (1995); Mulan (1998); Kiara, de “O Rei Leão 2” (1998); Atta e Dot, de “Vida de Inseto” (1998); Kida, de “Atlantis: O Reino Perdido” (2001)... depois eu explico...

Vamos para 2009, ano de lançamento de “A princesa e o sapo”. Novamente saindo do padrão europeu, Tiana é negra, não é princesa de nascimento, e tem uma personalidade mais forte que suas antecessoras, somente com o desenrolar da história que ela sente algo pelo príncipe Naveen, também negro, o primeiro príncipe negro, mas o segundo africano (Simba foi o primeiro)...

Agora a coisa fica mais interessante... Antes de “A princesa e o sapo”, as adaptações da Disney eram sutis, mas o conto de fadas cuja princesa atira o sapo contra a parede, transformando-o novamente em príncipe, foi alterado, e muito alterado... No conto original a libertadora do sapo é de fato uma princesa; Tiana não o é, e liberta Naveen com o “beijo de princesa” depois de se casar na forma de sapo...

A mudança drástica ocorreu com a história de Rapunzel, “Enrolados” (2010). Primeiro mudaram o motivo pelo qual ela está na torre, deram poderes mágicos à garota, aparece um ladrão no lugar do príncipe... simplesmente mudaram toda história de Rapunzel e suas tranças de mel, talvez por isso o nome não ser igual... “A princesa e o sapo” e “Enrolados” são histórias que se apropriaram, sem nenhuma carga pejorativa do termo, de personagens de outros contos para montar uma trama original. Nada contra, mas os filmes de princesa no século XXI já não são como os do século anterior...

Até então, todas as princesas terminavam o filme com um par romântico... isso antes de aparecer Merida, de Brave (2012). A garota é, pra mim, o primeiro símbolo feminista característico nos filmes Disney. Não que outras personagens não possam ser consideradas feministas, mas Merida aparece forte, decidida, não pretende se casar nem tem afeto por nenhum pretendente (também não tem nenhum pretendente como Eric, Naveen, Simba... ops...). A garota arqueira das Highlands, cabelos cacheados cor de fogo, não tem seu afeto direcionado a um homem, mas à sua mãe.

Antes de Brave (Valente), todas as princesas terminavam com um cara, e o amor era entre homem e mulher (suavizado porque era pra criança ver). Na história de Merida, o foco passa a ser a família, as relações mãe e filha, mais precisamente. A personagem mágica não é uma fada, é uma bruxa, que não é má, ela apenas realizou o desejo da garota (diferente de Malévola, a fada má (ela não é bruxa))... parou por aí? Não, mesmo!!!!

Pula Vanellope, de Detona Ralph (2012)...

Em 2013, surge o bendito “livre estoooouuuuu, livre estouuu...” (você ouviu a voz da Elsa, confessa...). Frozen vem quebrando uma série de paradigmas que pouca gente deu importância. Primeiro: a princesa tem poderes mágicos e não consegue controlá-los nem recebe treinamento adequado; Segundo: ambos os pais morrem, não foi dessa vez que teríamos uma princesa com padrasto; Terceiro: o troll diz que somente um ATO de amor verdadeiro (ele diz ato, não beijo) pode salvar a princesa; Quarto: Hans, o príncipe da trama, é mau; Quinto: a rainha não é má; Sexto: não há casamento nem indicativo de que vá ocorrer (não acho que Anna tenha se casado com o Sven... quero dizer, com o Kristof)... esses são só os que eu me lembro agora, fora os avanços na parte técnica, etc...

Personagens como Nala, Pocahontas, Tiger Lily (Tigrinha), Mulan, Kiara, Atta e Dot, Kida, Vanellope, Bela, Jane, as irmãs Lilo e Nani, Sininho, Esmeralda, entre outras meninas/mulheres, independentemente de serem princesas ou não, ajudaram muito a desconstruir lentamente a ideia de princesa dos anos 1930. Comparando a personalidade de Branca de Neve com a de Anna, há uma diferença gigantesca, são apenas 76 anos de diferença, não poderia ser igual.

Fazer com que as meninas se inspirem nessas personagens mais independentes é válido e saudável. Toda mudança brusca gera desconfortos, mas, quando paulatinas, como mostrado acima, parece natural, não há estresse, não tem pai chato reclamando de “temática isso, temática aquilo...”

Está previsto para 2016 uma nova história, “Moana: Um Mar de Aventuras”. Alguém acha que a princesa Moana Waialiki, personagem principal do filme, vai ser como a Branca de Neve de 1937? Alguém duvida que ela vai ter uma personalidade forte? Duvida que não vai depender de homem?


Olha que eu nem comentei o fato de a nacionalidade das princesas ter deixado de ser exclusivamente europeia... A sociedade muda, as princesas mudam também.


Imagem:
FreeImages.com/A Syed

Fonte:

4 comentários:

  1. Curioso que não somente as princesas mudaram, mas o papel dos vilões como a Malévola de 1959 que era cruel sem motivo, diferente da personagem em 2014 que não é totalmente má

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    1. pois é... fora o caso Hans que deveria ser o príncipe salvador, quando na verdade ele é o vilão principal. A Malévola antiga tinha um motivo, besta, mas tinha. A nova Malévola tem muito mais nuances, além de uma personalidade muito mais interessante do que a de outrora.

      =]

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